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Artes visuais: 5º Rio Pardo em Foto tem como tema as relações humanas e as cidades

13 de novembro de 2017

Projeto de arte visual leva exposições a Rio Pardo

Até o final de novembro, ocorre o 5º Rio Pardo em Foto, com exposições fotográficas abertas ao público no município de Rio Pardo. A realização é do Sistema Fecomércio-RS/Sesc, por meio do Arte Sesc – Cultura por toda Parte, em parceria com o Curso de Fotografia da UNISC, a Prefeitura Municipal de Rio Pardo e o Centro Regional de Cultura local. Com o tema “Organicidade: a cidade viva”, o projeto tem como objetivo debater e elucidar questões que envolvem as relações humanas e as cidades. Mais informações sobre os serviços podem ser obtidas pelo telefone (51) 3713-3222, no site www.sesc-rs.com.br/santa_cruz_do_sul e na página www.facebook.com/sescsantacruzdosul.

O 5º Rio Pardo em Foto contempla quatro exposições: “Arquitetura de afetos”, de Lula Helfer, “½ Urbano”, de Gutemberg Ostemberg, além da “Mostra Luci e Ombre – Contrasti Urbani”, do fotógrafo Nicodemo Misiti, e o projeto “Cidades Vivas”, dos alunos do Curso de Fotografia da UNISC. Os trabalhos buscam apresentar as apropriações urbanas, as relações culturais, a organização e a articulação dos diversos agentes sociais. Em Rio Pardo, as imagens ficam expostas até 30 de novembro. Confira abaixo a programação completa.

Sobre o Arte Sesc – Cultura por toda parteCriado pelo Sistema Fecomércio-RS em 2007, o programa reúne todas as atividades culturais desenvolvidas pelo Sesc no Rio Grande do Sul, entre teatro, música, artes plásticas, literatura e cinema. Além de promover uma intensa troca de experiências e ampliar o acesso à produção artística, o Arte Sesc busca ser reconhecido como promotor de ações culturais no Estado, sendo elas não só apresentações artísticas, mas também de caráter formativo e educacional, orientadas por três eixos: transversalidade, diversidade e acessibilidade.

 

PROGRAMAÇÃO 5º RIO PARDO EM FOTO

 

Até 30/11 – Rio Pardo

Centro Regional de Cultura Rio Pardo (Rua Andrade Neves, 679)

De segunda a sábado: das 8h às 12h e das 13h30 às 17h30

Domingos e feriados: das 14h30 às 17h30

 

Banco do Brasil (Rua João Pessoa, 714)

De segunda a sexta: das 10h às 15h

 

 

SOBRE AS EXPOSIÇÕES

 

 “Arquitetura de afetos”, de Lula Helfer

A exposição reúne 15 das imagens que compõem o livro “Arquitetura de afetos”, que une poesia e fotografia, uma parceria entre o poeta Mauro Klafke e o fotógrafo Lula Helfer. A obra constitui homenagem à cidade de Rio Pardo: Klafke traduz sua admiração por essa comunidade em versos, e vários poemas trazem em paralelo imagens que Lula captou em visitas ao ambiente urbano e também ao meio rural.

 

“½ Urbano”, de Gutemberg Ostemberg

Migrando do Pantanal para o sul do país, o fotógrafo expositor, após experiências fotográficas voltadas a paisagens de natureza, passa também a transitar sua maneira de ver o mundo, através das lentes, por cenários essencialmente urbanos, em inusitados cantos. Contagiado por esse intrigante ambiente de multidões, o foco volta-se, paulatinamente, à luz dos gigantes e apertados espaços e, nessa trilha, através da câmera fotográfica, vai moldando e emoldurando; denotando cores exuberantes, linhas, estilos e, até mesmo encantadores, tons de preto, cinza e branco; relatando, visualmente, sob impulso de sentimentos e sensibilidade, o universo das cidades e cidadãos, periféricos ou não; as formas de vidas que nos trazem perspectivas de geométricas figuras com aritméticos crescimentos, de aglomerados de habitações, fábricas de sonhos, como se coloridas colmeias fossem; com seus contornos e margens admiráveis e até mesmo, em alguns momentos, preocupantes; contrapondo-se à necessidade de preservação do meio ambiente. Lança-se, assim, a proposta de levar o espectador a uma viagem, ainda que em pensamento, pela impactante galeria de imagens de planejados formatos, com seus ímpares significados, histórias, estilos; a casa dos seres, um gigantesco mosaico, que pode dar vazão ao encantamento e à reflexão sobre o atual “1/2 Urbano” e o legado para as futuras gerações. Texto: Marcia Helena Grassi Scomazzon

 

Mostra Luci e Ombre – Contrasti Urbani do fotógrafo italiano Nicodemo Misiti

Segundo o filósofo grego Aristóteles: “O homem é um animal social, uma vez que tende a se reunir com outros indivíduos e formar-se na sociedade.” (IV século a.C.). Ao mesmo tempo, porém, segundo Plauto, (homo homini lupus), “O homem é o lobo do homem”, também citado pelo filósofo inglês Thomas Hobbes, implica dizer que, enquanto sociedade, visualiza-se de um lado o indivíduo que é protegido dos perigos externos, que possuem a possibilidade de desfrutar dos benefícios de uma vida social digna, de outro, se cria desigualdade e contrastes para aqueles que vivem sempre relegados ao estado da marginalidade. Em regra geral, os trabalhadores não formados, pobres, jovens e idosos e, citamos ainda, os deficientes, representam o “elo” frágil e marginalizado da sociedade. Os pobres se limitam e são constrangidos a viverem do que resta de uma sociedade rica. Aos jovens, por sua vez, é negado um futuro promissor, consequentemente se tornam vítimas de uma sociedade consumista. E, por fim, os idosos, às vezes abandonados e desassistidos moral e materialmente, continuam sendo tratados pela sociedade como pessoas sem utilidade e acabam vivendo na mais triste solidão. O projeto da mostra “Luci e Ombre – Contrasti Urbani” parte da análise da relação entre homem e ambiente urbano. Em todas as fotos o elemento urbano é, em geral, predominante sobre o homem, ao qual mesmo não havendo possibilidade de expandir a sua condição social, acaba por se ambientar ao meio que vive. “O testemunho fotográfico é luz que se transforma em imagem e reconta. Um instante do eterno que salvamos do esquecimento.”

 

Cidades vivas – Alunos do Curso de Fotografia da UNISC

Cidades são sistemas vivos, vivem do fluxo, existem pelo ir e vir. A vida dos centros urbanos é uma teia na qual estamos em constante contato com outras pessoas. Disputamos e negociamos espaços com outros humanos, com os bichos, com os veículos, com o concreto, com o asfalto. Cidades são a pulsação da vida humana e a sua negação. Tudo nas cidades é produção do homem para o homem e contra o homem. O mundo urbano é originalmente artificial, no entanto, se torna parte da nossa natureza, parte de nós. Caminhamos diariamente pelas ruas como nossos ancestrais faziam nas savanas africanas. É por isso, por termos esse comportamento tão naturalizado, que o olhar fotográfico é uma expressão tão potente na captação de momentos que simplesmente consideramos orgânicos – como respirar, dormir, falar, comer etc. A vida nas cidades é feita de relações e situações que nos moldam, nos impulsionam. Essa reflexão inicial serviu para os alunos e os professores do Curso de Fotografia da UNISC se lançarem num desafio: como a fotografia pode revelar o que torna uma cidade viva?