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Percentual de famílias gaúchas endividadas aumenta e alcança maior patamar desde fevereiro de 2018

12 de julho de 2019

crédito: iStock

Pesquisa da Fecomércio-RS aponta endividamento controlado, porém com piora em alguns indicadores de inadimplência

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), divulgada nesta sexta-feira (12/07) pela Fecomércio-RS, aponta avanço percentual de famílias endividadas tanto na margem quanto em relação ao mesmo período do ano anterior. O índice chegou a 69,4%, maior desde fev/18, quando alcançou 70,1%. A Peic pode ser acessada aqui.

De modo geral, os dados revelam quadro de endividamento ainda controlado, porém, com tendência de piora em alguns indicadores de inadimplência. A análise por grupo de renda mostra que o resultado na margem foi puxado pelas famílias com menos de dez salários mínimos (que compõem 80,7% da amostra), com avanço na quantidade de endividados e de famílias com dívidas em atraso. Já o percentual de famílias que não terá condições de pagar suas dívidas nos próximos 30 dias teve um pequeno aumento na margem.

A lenta recuperação do mercado de trabalho através das ocupações informais é um dos pontos que contribuem para o resultado, de acordo com o presidente de Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn. “A instabilidade da renda, característica da informalidade, reflete na imprevisibilidade da receita das famílias, que podem encontrar maior dificuldade para manter as contas em dia”, comenta Bohn.

A parcela da renda comprometida das famílias, na média de 12 meses, teve um pequeno avanço em relação a maio, atingindo 30,0%. No mesmo período, o tempo de comprometimento com dívidas foi de 5,3 meses, uma redução considerável comparação ao ano passado, ocasião em que o indicador era de 7,4 meses.

O cartão de crédito ainda é o principal fator responsável pelas dívidas, conforme apontado por 78,1% dos entrevistados. Na sequência, aparecem os carnês (22,9%), crédito pessoal (11,1%) e financiamento de carro (10,5%).

O percentual de famílias com contas em atraso teve o quarto aumento consecutivo na margem e se aproximou do nível registrado em junho de 2018, no entanto, o percentual manteve-se abaixo do patamar (22,1%) verificado no mesmo período do ano passado (23,0%). Paralelamente, houve aumento no grupo de famílias com dívidas em atraso com rendimento de até dez salários mínimos, passando de 19,2% para 23,2%. Já entre aquelas com rendimento maior, a variação foi pequena, de 17,8% para 17,3%. Na média em 12 meses, o indicador ficou praticamente estável (18,5%), bem como o tempo médio de atraso das contas, que registrou 62,3 dias.

Outro subindicador que registrou aumento foi o de percentual de famílias que não terão condições de regularizar nenhuma parte de suas dívidas nos próximos 30 dias (8,0%), valor acima do verificado no mês passado (7,6%) e em junho de 2018 (5,6%). Na média em 12 meses, o indicador passou de 5,6% para 5,8%. Pela estratificação por grupo de renda, o indicador registrou 8,3% em jun/19 para o grupo com rendimento até dez salários mínimos, enquanto o grupo com rendimento acima de dez salários manteve-se praticamente estável, registrando 6,5% frente a 6,4% em mai/19.

O patamar elevado do indicador em relação ao ano passado se deve, em parte, ao baixo valor registrado em jun/18, que foi seguido por oscilações em baixos níveis nos meses seguintes. Desta forma, apesar da terceira variação positiva na margem, o percentual de famílias que não terá condições de regularizar suas dívidas dentro de um período de um mês se mantém distante do maior valor da série (15,9%) registrado em out/16.