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Fecomércio-RS realiza análise dos impactos econômicos do novo coronavírus

17 de março de 2020

Crédito: iStock

No Rio Grande do Sul, shoppings, bares e restaurantes já registram os efeitos das medidas
para conter a disseminação da doença

A Fecomércio-RS realizou uma avaliação sobre os primeiros impactos do novo coronavírus (Covid-19) na economia. As orientações para reduzir a circulação de pessoas e mitigar o avanço da doença no Rio Grande do Sul já refletem na queda de movimento nos shoppings, bares e restaurantes. De acordo com o levantamento, com a suspensão de atividades em instituições de ensino fundamental, médio e superior, o comércio de rua deve começar a sentir os efeitos da queda de clientes já a partir desta semana. As exportações do Rio Grande do Sul também foram afetadas, com queda de 29,5% nos primeiros dois meses do ano.

A identificação do Coronavírus como uma doença que, inicialmente, circula entre viajantes internacionais explica por que os shoppings registraram a redução na circulação de pessoas já nos primeiros dias de medidas para conter a doença. Antes mesmo dos primeiros casos no Brasil, empresas ligadas ao turismo, como agências de viagens, companhias aéreas e hotéis, registravam queda acentuada na demanda.

Com a suspensão de atividades nas instituições de ensino fundamental, médio e superior, tanto da rede pública quanto privada, e orientação para que a movimentação de pessoas seja restrita, o comércio de rua deve começar a sentir os efeitos a partir desta semana. O efeito sobre bares e restaurantes deve se intensificar nas próximas semanas, conclui a análise. Além do comércio de rua, postos de combustíveis e o transporte público devem registrar queda no movimento nos próximos dias, a depender da extensão da adoção de medidas como home-office por parte das empresas com trabalho tipicamente de escritório. Os setores que vão na contramão desta tendência, nesse momento, são os de venda de gêneros alimentícios e farmácias, que devem registrar um movimento maior, pelo menos no curto prazo.

A diminuição da atividade no resto do mundo já gera impacto sobre as exportações, com queda de 8,5% no Brasil e de 29,5% no Rio Grande do Sul, nos dois primeiros meses de 2020 na comparação com o mesmo período do ano anterior. Houve redução dos preços da commodities agrícolas, metálicas e energéticas – elementos importantes na pauta de exportação brasileira, e depreciação acentuada das moedas dos emergentes, com destaque para o Real.

De acordo com o presidente do Sistema Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn, a adoção das medidas no início do contágio antecipa os efeitos econômicos, mas reduz os riscos de impactos mais profundos e duradouros e pode evitar o colapso do sistema de saúde. No entanto, é necessário pensar em medidas para viabilizar a recuperação econômica dos setores afetados e evitar impactos negativos sobre o emprego e a renda:

“É fundamental, nesse momento, que agentes públicos e privados evitem que a crise tome proporções ainda mais relevantes. Na esfera pública, devem ser estudadas medidas para prover liquidez, especialmente, para micro e pequenas empresas, através do diferimento de tributação e mecanismos que promovam a provisão de crédito. Na esfera privada, especialmente no setor bancário, os agentes precisam tomar ações coordenadas para evitar que o pagamento de compromissos financeiros diante de um choque de demanda adverso, como o que se supõe que vá acontecer, acabe inviabilizar inúmeros negócios”, alerta.

O estudo da Fecomércio-RS também avaliou os efeitos econômicos decorrentes da queda da oferta como consequência da falta de fornecimento de peças. A origem da epidemia se deu justamente no principal país fornecedor de componentes eletrônicos, levando à suspensão da atividade industrial em diversas fábricas no mundo, inclusive no Brasil.