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Homeschooling: cuidado para não estressar as crianças

20 de abril de 2020

Divulgação Senac-RS

O método é novidade para os pequenos e seus pais e o excesso de tarefas pode causar problemas

Já na segunda semana de quarentena surgiram nas redes sociais, em tom de brincadeira, depoimentos de pais e mães estressados que agradeciam aos professores, reconheciam a importância do trabalho dos profissionais do ensino e pediam o retorno das aulas porque já não sabiam mais o quê fazer com as crianças dentro de casa. Mais uma semana e começaram as postagens afirmando que os filhos estavam atolados em trabalhos escolares enviados pelos professores por meio de um método de estudo que as crianças não estão acostumadas – o homeschooling. Os pequenos estariam, portanto, estressados e até mesmo desestimulados com o excesso de tarefas e com a saudade dos amigos e professores. “A pandemia transformou a nossa ideia de casa, de lar. Hoje a nossa residência tornou-se local de trabalho, de estudo, local de gerenciamento de demandas e fundamentalmente de pouco relax”, explica a psicóloga e docente da Faculdade Senac Porto Alegre, Adriana Ferreira Silva.

Além destes aspectos mencionados e responsabilidades, Adriana lembra que as pessoas ainda têm de supervisionar a educação domiciliar dos filhos a qual demanda além de tempo, a disponibilidade emocional para tal. “O método de homeschooling é o formato possível neste momento, mas que deve ser analisado caso a caso, por série escolar. É um método que funciona, mas deve ter alguns cuidados. Em alguns casos percebe-se que as escolas estão demandando muitas tarefas extras e gerando algum desconforto o qual pode levar ao estresse infantil. O qual já está sendo colocado à prova diante da restrição ao ir e vir ao encontro de colegas e amigos para brincar ou interagir. A sugestão é dosar melhor as atividades propostas e tentar propiciar maior independência das crianças para a realização das tarefas escolares, afinal de contas o aluno também necessita sentir-se livre”, indica a especialista.

A psicóloga afirma que seria interessante envolver o lúdico e demandar um pouco menos os pais para a execução das tarefas. “Afinal, alguns podem não se sentir tão confortáveis ou com didática para tal. Seria interessante os pais e as escolas manterem um contato próximo para assim orientar melhor os pais. Pode ser através de reuniões online, momentos de diálogo e suporte; estreitando assim a relação entre os mesmos”, sugere. Adriana aponta ainda que é possível conciliar momentos de lazer com aprendizado, o que otimiza bastante o tempo de educação.

A psicóloga chama a atenção para uma questão: a cobrança dos pais em relação ao cumprimento das tarefas escolares. “Cobrança é importante, é disciplinar, mas cuidado com a dose! Sugiro adotar a postura de monitoramento, conheça melhor o seu filho neste quesito, para assim fazer as devidas exigências, mas com respeito aos seus limites”, afirma. Adriana diz que é importante que a criança e o adolescente tenham organização nos estudos de maneira que fique definido, por exemplo, turno de estudos e em quais dias de semana. “E muita paciência! Tudo é muito novo para todos (pais, alunos, escolas e professores) e sendo assim requer uma dose maior de flexibilidade e de diálogo. Reforço a ideia de fazer reuniões virtuais com os pais para desta forma “apontar os lápis” e favorecer o que realmente nos interessa: o bem-estar das crianças e adolescentes”.

E para finalizar, Adriana aconselha aos pais definir momento momentos de lazer e incluir atividade física e lúdica diárias. “É muito importante manter a atividade física. E a regra número 1 para pais e filhos, além dos hábitos de higiene, é marcar conversas com amigos para evitar estresse pela falta de contato com as pessoas queridas. E façam a respiração diafragmática que estimula o cérebro a liberar serotonina e oxitocina responsáveis pelo prazer e relaxamento e impede a liberação do cortisol, que é o que gera estresse”, recomenda.

A psicóloga Adriana Ferreira da Silva é docente da Faculdade Senac Porto Alegre, Doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas – FAMED / UFRGS, especialista em Dor e Medicina Paliativa HCPA/ UFRGS e especialista em Saúde e Trabalho/ UFRGS.