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Copom avança no estímulo monetário deixando Selic em 3,00%

7 de maio de 2020

O Comitê de Política Monetária (Copom), em reunião realizada na última quarta-feira (06/05/2020), diante do agravamento do cenário decorrente do Coronavírus, decidiu cortar, por unanimidade, novamente a taxa básica de juros da economia brasileira (taxa Selic), porém, em maior magnitude: 0,75 p.p., deixando a taxa em 3,00% a.a., nova mínima histórica.

A avaliação do cenário decorrente da pandemia do COVID-19 pelo COPOM identifica uma dimensão da queda na atividade doméstica muito superior ao que era considerado na reunião anterior, em um contexto externo mais desafiador aos emergentes, com forte saída de capitais, em um ambiente de desaceleração da economia global e demais efeitos do coronavírus sobre redução do preço das commodities e alta volatilidade no preço dos ativos. No balanço de riscos, que segue com componentes em ambas direções, por um lado o risco relacionado à elevada ociosidade que pode ser intensificado por uma redução adicional da demanda agregada em função de maior incerteza e aumento da poupança precaucional decorrente da pandemia; por outro, junto ao risco relacionado a frustações sobre continuidade das reformas, o comitê ponderou o risco de uma deterioração prolongada das contas públicas como consequência dos rumos das políticas fiscais de combate à pandemia.

Diante desse cenário, e avaliando a necessidade de um estímulo monetário extremamente elevado, o Comitê surpreendeu com um corte superior ao esperado pelo mercado, e, ainda, indicou ter sido moderado. Assim, o Banco Central mostra estar disposto a dar todo estímulo monetário possível diante das consequências da crise – que estão se mostrando mais graves que o anteriormente considerado. No comunicado já foi sinalizado que podemos esperar mais um último ajuste na Selic na próxima reunião em junho, porém, além da conjuntura, a ponderação sobre o cenário fiscal será determinante.