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Com deflação de 0,31% em abril, IPCA registra menor variação em 22 anos

11 de maio de 2020

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou deflação de 0,31% em abril de 2020, conforme o IBGE, registrando a menor variação mensal desde agosto de 1998. Em março de 2020, a variação no índice foi de 0,07%. No mês de abril de 2019, a taxa havia sido de 0,57%. Assim, a inflação acumulada em 12 meses foi de 2,40%.

Entre os nove grupos que compõe o índice, 6 tiveram deflação. O maior impacto negativo no resultado do mês (-0,54 p.p.) veio do grupo de Transportes, que teve deflação de 2,66; Artigos de Residência (-1,37%), Saúde e Cuidados Pessoais (-0,22%) e Habitação (-0,10%) vem na sequência, mas com impactos menores, de -0,05, -0,03 e -0,02, respectivamente. Do lado das altas, o maior impacto foi de Alimentos e Bebidas (0,35 p.p.), com avanço de 1,79%. Nos Transportes, o recuo foi puxado pela queda de 9,31% no preço da gasolina, que teve o maior impacto negativo individual no IPCA de abril, -0,47 p.p.. Nos Alimentos, a alimentação no domicílio acelerou de 1,40% em março para 2,24% em abril, com as maiores altas nos itens cebola (34,83%), batata-inglesa (22,81%), feijão-carioca (17,29%) e leite longa vida (9,59%); carnes registrou a quarta queda mensal (-2,01%).

Na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA), o IPCA teve deflação de 0,05% em abril, ante recuo de 0,32% em março. O maior impacto negativo também veio de Transportes (-0,71 p.p.), que registraram deflação de 3,44%; pelas altas, além de Alimentação e Bebidas (2,70%), que teve o maior impacto (0,53 p.p.), o avanço de 1,49% em Habitação (0,22 p.p.) também foi destaque, puxado pela alta no preço da energia elétrica residencial (3,43%), com impacto individual no incide de 0,15 p.p.. Assim, o IPCA acumula crescimento em 12 meses de 1,74%.

No que diz respeito ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), em abril, sua variação no país foi de -0,23%, acumulando alta de 2,46% em 12 meses. Na RMPA, o INPC teve recuo de 0,03%, com variação acumulada de 1,93% em 12 meses.

O IPCA de abril reflete os efeitos sobre a demanda da pandemia do COVID-19. Se por um lado o preço dos alimentos continuou a subir, algo esperado pela restrição sazonal da oferta, mas principalmente pela maior demanda das pessoas, que tem agora seu maior consumo em casa, por outro lado os gêneros não alimentícios tiveram deflação de 0,82% – com destaque aos combustíveis, que refletem a queda do preço do petróleo, que, por sua vez, é resultante da menor demanda na economia global. Assim, com o IPCA em 12 meses marcando 2,40%, o resultado de abril reitera o cenário crítico que deu suporte à decisão do COPOM, há dois dias, para o corte mais forte na Selic.