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Crise do coronavírus atinge em cheio mercado de trabalho no país com queda recorde na ocupação

28 de maio de 2020

Conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do IBGE, a taxa de desocupação média brasileira foi de 12,6% no trimestre encerrado em abril de 2020, ficando acima do registrado no trimestre imediatamente anterior de novembro a janeiro de 2019 (11,2%) e apresentando estabilidade, conforme o IBGE, em relação mesmo período de 2019, quando a taxa registrou 12,5%.

No que se refere aos componentes da taxa de desocupação, comparativamente ao mesmo trimestre do ano anterior, o contingente de ocupados teve queda de 3,4%, e a força de trabalho disponível retraiu 3,3% – ambos registrando a maior queda na série histórica que teve início em mar/12. Com quedas em magnitudes muito próximas do número de ocupados e da força de trabalho disponível, houve estabilidade na taxa de desocupação.

O rendimento médio das pessoas ocupadas foi de R$ 2.245,00 no período de fevereiro a abril de 2020, com aumento de 2,5% em relação à remuneração do mesmo trimestre do ano anterior, refletindo a saída do mercado de trabalho de pessoas com rendimentos menores. Na mesma de comparação, a massa de rendimento real variou   -0,8%, porém ficou estável segundo o IBGE; em relação ao trimestre anterior, houve queda recorde de 3,3%, refletindo a redução no contingente de ocupados – 4,9 milhões nessa comparação.

O efeito do Coronavírus sobre o mercado de trabalho que ainda não era claro em março ficou evidente na Pnad Contínua de abril: a crise que se agravou atingiu em cheio o mercado de trabalho. A queda na ocupação foi recorde e generalizada, e a grande maioria dos que perderam seus empregos não buscaram novas colocações, mas saíram do mercado de trabalho, explicando a alta recorde do contingente de pessoas fora da força de trabalho (9,2% em relação a ao mesmo trimestre de 2019). A maior queda no número de ocupados, para ambas comparações, foi registrada no Comércio, seguido pela Construção, Serviços Domésticos e Alojamento e Alimentação. O tamanho dos danos no mercado de trabalho pelos efeitos da crise, contudo, podem ser ainda maiores, uma vez que, com o agravamento da crise e sem o prolongamento das medidas de suporte ao emprego e acesso efetivo a crédito, muitos empregos formais seguem em risco.