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Respire fundo: o meio ambiente agradece

2 de junho de 2020

Divulgação Senac-RS

Na Semana do Meio Ambiente, coordenadora do curso técnico em Meio Ambiente e Qualidade do Senac EAD e mestra em Engenharia Ambiental fala sobre a importância do consumo consciente durante e pós pandemia

Devido a pandemia da Covid-19, as rotinas foram alteradas implicando, inclusive, nas variadas mudanças de consumo durante e pós o período de isolamento social.  De março a abril, a quarentena foi mais intensa e somente os serviços essenciais puderam manter as suas rotinas de trabalho. Com a ausência do ser humano circulando pelo planeta, o meio ambiente respirou. 

Segundo a graduada em Engenharia Ambiental e Sanitária, mestra em Engenharia Ambiental e coordenadora dos cursos técnicos em Meio Ambiente e Qualidade do Senac EAD, Marília Teixeira, o isolamento trouxe benefícios e malefícios para o meio ambiente. “Ao mesmo tempo que tivemos baixa no consumo em diversos produtos e setores também contamos com o aumento da produção de lixo residencial”. Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE), estima-se que poderá haver um aumento relevante na quantidade gerada de resíduos sólidos domiciliares (15-25%) e um crescimento bastante considerável na geração de resíduos hospitalares em unidades de atendimento à saúde (10 a 20 vezes). Por outro lado, a poluição tem caído drasticamente em diversos lugares do mundo. Segundo a Agência Ambiental Européia (EEA), Madri teve um recuo de 56% dos níveis médios de dióxido de nitrogênio em comparação semanal depois que o governo espanhol proibiu viagens não essenciais. O mesmo aconteceu em São Paulo, que teve uma redução de 50% de poluição atmosférica em apenas uma semana, segundo dados da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).

A redução da utilização dos meios de transportes têm impactado o meio ambiente com relação a poluição do ar, pois as emissões dos gases do efeito estufa reduziram significativamente. De acordo com a Fecombustíveis (Federação Nacional do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes), os postos vêm sentindo também os efeitos das medidas de isolamento. As vendas em São Paulo foram 39% menores do que a média histórica para o município. Em Goiânia, a queda foi de 42%; em Porto Alegre, de 26%; e em Belo Horizonte, de 19%.

Além da diminuição da poluição, o consumo dos combustíveis foi reduzido significativamente, como explica a especialista. “Com o trabalho em home office, por exemplo, as pessoas não precisam mais se deslocar para as empresas em que trabalham. Sendo assim, não utilizam mais os meios de transportes públicos, como ônibus e lotação, e nem mesmo seus próprios carros”. O consumo de roupas, acessórios e calçados também está em queda. Com o isolamento social, o número de festas caiu totalmente. Não se tem mais formaturas, casamentos, danceterias, bares e restaurantes, devido às aglomerações de pessoas. Assim, as pessoas diminuíram bastante o consumo de roupas. 

Por outro lado, o consumo de produtos alimentícios essenciais continuaram e até mesmo aumentaram. Por estarem em casa, e muitas vezes por estarem entediadas, as pessoas têm visto na alimentação uma nova forma de lazer. “Cozinhar se tornou uma das formas de lazer até para aquelas pessoas que não gostavam de cozinhar”, explica a coordenadora dos técnicos em Meio Ambiente e Qualidade do Senac EAD.

Mesmo que motivado por algo muito negativo como a pandemia da Covid-19, o meio ambiente tem agradecido por esse fôlego que ganhou nos últimos meses. Quando menos se esperar, tudo vai voltar ao normal. Porém, vai ser importante repensar o consumo como um todo. E, até mesmo, estudar ideias para levar esses números positivos para o meio ambiente em frente, mesmo depois do fim da quarentena.