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Artigo “Comércio varejista: ostracismo mais uma vez”

30 de junho de 2020

Por Joel Vieira Dadda, 1º vice-presidente da Fecomércio-RS e presidente do Sindilojas Litoral Centro

A região de Capão da Canoa, que abrange os 23 municípios do Litoral Norte gaúcho, passou para bandeira vermelha no mapa de distanciamento controlado do Estado, sob a alegação de aumento na incidência de óbitos por covid-19 e da maior demanda por internações nos hospitais. Com o anúncio do governo estadual, no último dia 22, prefeituras tiveram que baixar novos decretos, levando o comércio varejista ao ostracismo, mais uma vez. As oscilações causadas ao funcionamento do segmento, desde março, já refletem nas vendas e na manutenção dos empregos.

As empresas do setor terciário respondem por 1,5 milhão de empregos formais no Estado, cerca de 120 mil no Litoral Norte. Dados divulgados pela Federação do Comércio de Bens e de Serviços do RS (Fecomércio) revelam que apesar da suspensão ou flexibilização de contratos de trabalho, já utilizada com quase 500 mil gaúchos, foram encerrados 90 mil postos formais, nos meses de março e abril.

Se persistir a lógica imputada ao comércio, de fechamento em decorrência da falta de leitos em unidades de terapia intensiva (UTIs), esse número tende a crescer. Temos que considerar que, com a chegada do inverno, as doenças respiratórias acabam ocasionando mais internações hospitalares.

A mudança na cor de bandeira vem jogar um balde de água fria, frustrando as expectativas dos lojistas em recuperar o tempo perdido. Por conta da pandemia, as vendas do comércio varejista gaúcho despencaram 27,69%, em abril, na relação com igual período em 2019, registrando a pior queda da história, conforme a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ora, se o setor está seguindo rigidamente as determinações das autoridades, não é justo que seja tratado como se fosse o propagador do coronavírus, restando como o mais penalizado.

Face às incertezas que a covid-19 traz, uma coisa é certa, além das perdas humanas: com a saúde financeira debilitada, inúmeros estabelecimentos do comércio irão sucumbir.

*Artigo publicado originalmente no jornal Zero Hora desta segunda-feira, dia 29 de junho.