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Varejo surpreende na margem em maio, mas apresenta forte queda comparado à 2019

10 de julho de 2020

Em maio, o volume de vendas do Varejo Restrito brasileiro teve aumento de 13,9% frente ao mês anterior, na série com ajuste sazonal. Conforme a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), do IBGE, a qual consulta estabelecimentos que tenham no mínimo 20 pessoas ocupadas, frente ao mês de maio de 2019, o índice de volume de vendas apresentou queda de 7,2%. Com isso, o acumulado em 12 meses passou de 0,7% em abril para 0,0% em maio.

No Rio Grande do Sul (RS), comparado ao mês anterior, o Varejo Restrito teve aumento de 17,7%, na série dessazonalizada. Em relação ao mês de maio do ano passado, houve retração de 3,1%. Com esses resultados, o acumulado em 12 meses foi de queda de 1,6%. No mês anterior, esse acumulado havia registrado variação de   -1,2%.

No Varejo Ampliado, que inclui as atividades de material de construção e veículos, motos, partes e peças, frente a maio de 2019, foi verificada baixa de 14,9% para o Brasil (BR), ao passo que no RS a queda foi de 8,4%. Dessa forma, o volume de vendas do Varejo Ampliado registrou no acumulado em 12 meses -1,0% no país, e queda de 3,4% no Rio Grande do Sul.

Analisando o Varejo Restrito gaúcho em comparação com o mesmo mês do ano anterior, dos oito segmentos contemplados na pesquisa, dois tiveram resultado positivo. A atividade de Hipermercados e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo registrou alta de 7,2%. Já Móveis e eletrodomésticos tiveram aumento de 11,7%. Das seis atividades que tiveram retração frente ao mesmo período do ano passado, destaque para Tecidos, vestuário e calçados (-38,5%) e Outros artigos de uso pessoal e doméstico (19,0%). No Varejo Ampliado, a atividade de veículos, motos, partes e peças teve baixa de 34,6%, enquanto no segmento de materiais de construção houve aumento de 7,1%.

A alta de 13,9% no varejo nacional foi a maior já registrada desde o início da série histórica e de certa forma surpreendeu. Porém, a alta recorde se deu sobre abril, outro recorde da série, que registrou a queda mais profunda da PMC, ou seja, o aumento foi sobre uma base extremamente deprimida, tanto que a comparação interanual mostra um volume de vendas ainda abaixo que o mesmo período do ano anterior, ficando 7,2% abaixo de maio de 2019. Assim, embora o resultado de maio sinalize abril foi um mês extremamente ruim para o varejo, em virtude do fechamento do comércio em muitos estados, estamos longe da normalidade. A reação da atividade econômica reflete as medidas de flexibilização da quarentena de alguns Estados e a maior fruição da ajuda emergencial para as pessoas que ficaram sem renda durante a pandemia. Entretanto, há um risco significativo que a atividade seja afetada pelos efeitos devastadores das medidas de distanciamento social sobre o emprego e a renda.