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Concessões de crédito livre voltam a crescer puxadas pelas famílias

30 de julho de 2020

Em junho, o estoque total de crédito do sistema financeiro nacional (incluindo recursos livres e direcionados) teve variação de 0,8% frente a maio, e registrou avanço de 9,8% em relação a junho de 2019. Com isso, o saldo totaliza R$ 3,6 trilhões, conforme divulgado pelo Banco Central. Como proporção do PIB, o montante total de crédito atingiu 50,4%. Na região Sul, para operações iguais ou superiores a R$ 1 mil, o saldo total de crédito em junho foi de R$ 698,0 bilhões, com variação de 0,8% frente ao mês anterior e crescimento de 11,6% na comparação interanual.

As concessões de crédito livre tiveram aumento de 3,9% em junho na comparação com maio, na série com ajuste sazonal (12,8% PF; -0,7% PJ). Em relação a junho de 2019, as concessões com recursos livres recuaram 1,1%. No acumulado em 12 meses, em relação ao ano passado, as concessões cresceram 11,2%, resultado das altas de 15,7% para pessoa jurídica e de 7,2% para pessoa física.

A taxa média de juros para as operações de crédito com recursos livres teve variação de -1,7 p.p. em junho, registrando 27,9% a.a.. O resultado teve influência do recuo de 2,2 p.p. na taxa às famílias, que atingiu 40,7%, e da taxa às empresas, que teve queda de 1,2 p.p., marcando 13,2%. A inadimplência superior a 90 dias, também para as operações com recursos livres, teve leve recuo aos 3,7%, com a inadimplência das famílias em 5,3% e das empresas em 3,7%.

Depois de cair por dois meses seguidos na comparação mensal, a concessão de crédito livre voltou a registrar avanço, puxado pelo desempenho das concessões às famílias. A alta se deu sobre patamar muito baixo, ficando ainda 14,7% abaixo das concessões de fevereiro (antes da crise), mas o resultado é um bom sinal e indica a reação da utilização do crédito pelas famílias para consumir, o que fica claro ao observar duas modalidades: cartão de crédito à vista (que correspondeu a 53,6% do total de concessões de recursos livres no mês) cresceu 14,1% em relação à maio e diminui para 12,2% a diferença em relação às concessões de fevereiro; similar ao crédito para aquisição de veículos que, ao crescer 33,7% sobre patamar extremamente deprimido, diminuiu a distância em relação a fevereiro para -19,7%.