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Crise do coronavírus: saída massiva de pessoas da força de trabalho impede trajetória explosiva da taxa de desocupação

7 de agosto de 2020

Conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do IBGE, a taxa de desocupação média brasileira foi de 13,3% no trimestre encerrado em junho de 2020, avançando tanto em relação ao registrado no trimestre imediatamente anterior de março a maio de 2020 (12,9%) quanto ante o mesmo período de 2019, quando a taxa registrou 12,0%.

No que se refere aos componentes da taxa de desocupação, comparativamente ao mesmo trimestre do ano anterior, o contingente de ocupados diminuiu 10,7%, e a força de trabalho disponível retraiu 9,4% – ambos registrando novamente a maior queda na série histórica que teve início em mar/12. Com a magnitude da queda do número de ocupados em maior medida que a força de trabalho disponível, houve avanço na taxa de desocupação.

O rendimento médio das pessoas ocupadas foi de R$ 2.500,00 no período de abril a junho de 2020, com aumento de 6,9% em relação à remuneração do mesmo trimestre do ano anterior, refletindo a saída do mercado de trabalho de pessoas com rendimentos menores. Na mesma comparação, a massa de rendimento real teve contração de 4,4%; em relação ao trimestre anterior, houve novo recorde com a queda de 1,4%, refletindo a redução no contingente de ocupados (-2,6 milhões nessa comparação).

Embora a taxa de desemprego tenha dado um salto, o indicador é apenas a ponta do iceberg, já que a saída massiva do mercado de trabalho daqueles que perderam sua ocupação (que totalizam 8,9 milhões em relação a março) impede uma trajetória explosiva da taxa. Como resultado, apenas um pouco mais da metade (55%) das pessoas em idade para trabalhar no país estavam trabalhando ou dispostas a encontrar um emprego, registrando novo recorde de patamar mais baixo da série (no trimestre encerrado em março era de 61%). Entre os setores, o comércio lidera as baixas em relação a março (-2,14 milhões de ocupados), seguido por alojamento e alimentação (-1,35 milhão), serviços domésticos (-1,27 milhão), Indústria (-1,1 milhão) e Construção (-1,06 milhão).

Embora haja alguns sinais recentes de que pior momento passou e o Brasil possa seguir em trajetória de recuperação com as flexibilizações nos principais centros urbanos, a reação do mercado de trabalho, diante de tamanha incerteza sobre os rumos da pandemia, vai depender tanto da segurança com que as pessoas voltarão a procurar empregos, bem como da confiança dos empregadores que passarem pela crise para voltar a contratar – aspectos que devem impor um ritmo lento para a retomada do trabalho.