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A retomada do turismo e o comportamento do consumidor

30 de setembro de 2020

Divulgação Senac-RS

Docente do curso técnico em Guia de Turismo Senac EAD fala sobre o momento da área

O turismo mundial passa por uma das maiores crises já vivenciadas. Os impactos causados no setor são inegáveis. Contudo, apesar do grande abalo econômico, o turismo não morreu, está se redesenhando. Dados da Organização Mundial do Turismo (OMT) apontam que 40% dos destinos mundiais já flexibilizaram as medidas relacionadas a viagens. No Brasil, o setor ensaia uma retomada, logo esse momento é fundamental estar atento às mudanças de comportamento do consumidor, para desenvolver estratégias assertivas.

“Devido a pandemia do Covid -19 fomos privados de grande parte das atividades de lazer, das quais desfrutávamos antes, como ir ao cinema, teatro, festas, shows, restaurantes bares, parques e viagens”, afirma a gestora em Turismo e docente do curso Técnico em Guia de Turismo Senac EAD, Tamara Dias Corrêa. Entre as mudanças de comportamento observadas está a necessidade de reconectar-se com a natureza. Atualmente, 54% da população mundial está em áreas urbanas, no Brasil corresponde a 84%, esses fatores podem influenciar na escolha do destino.

“Alguns turistas já vem buscando ‘escapadas’ para cenários diferentes do que vivem. Os destinos preferidos são praia, serra e outros ambientes naturais como parques e propriedades rurais, que preferencialmente estejam aproximadamente a 200km de seu local de residência”, explica a docente. As plataformas de reserva Booking e Airbnb têm registrado crescente procura por pousadas, cabanas e chalés, pois esse tipo de hospedagem permite mais privacidade e menos contato social.

O turista vai em busca de cenários mais seguros, onde existam protocolos de higiene eficientes e locais que apresentem uma situação estável nos índices de contaminação. Frente a isso, o buscador Google Travel atualizou seus recursos. Agora, ao pesquisar o destino, o usuário tem acesso a dados como números de voos operados, quantas hospedagens disponíveis, e número de contágios por Covid-19.

“Para o sucesso da retomada, os destinos precisaram ir ao encontro das novas necessidades dos viajantes, que estão cada vez mais informados e conectados. Disponibilizar ferramentas on-line, que permitam realizar procedimentos que antes eram presenciais, assim reduzir ao máximo o contato in-loco”, afirma Tamara. Com a restrição de viagem, aos brasileiros, por diversos países, investir no turismo nacional é a escolha mais adequada. “Pode-se observar o exemplo europeu. Com a temporada de férias de verão chegando ao fim, o destino turístico mais procurado do mundo, França, alcançou bons resultados investindo no turismo doméstico e manteve 94% dos franceses viajando no país, mesmo com suas fronteiras abertas, tendo como principal concorrência o país vizinho, Espanha”, completa.

Analisando a realidade nacional, é preciso avaliar mercados emissores e seus destinos finais dentro de cada estado, e concentrar as ações de promoção turísticas. Para uma recuperação rápida serão necessários esforços para que os estados trabalhem de forma articulada, tendo como objetivo conjunto promover o turismo nacional. No entanto, para uma retomada segura exige-se protocolos rígidos, monitoramento dos empreendimentos turísticos e rastreamento de infectados. “Caso contrário teremos aqui o mesmo quadro que vemos na Europa, que começa a enfrentar uma nova onda de contágios”, finaliza.