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Giro pelo Rio Grande reúne mais de 200 pessoas em evento on-line com Luiz Felipe Pondé para debater os rumos da vida pós-pandemia

18 de agosto de 2020

Divulgação Fecomércio-RS

A vida pós-pandemia sob o olhar do filósofo Luiz Felipe Pondé e do economista Marcelo Portugal foi o tema do Giro pelo Rio Grande 2020 realizado na noite desta terça-feira (18), pela Fecomércio-RS. Na oportunidade, mais de 200 pessoas participaram do encontro, realizado pela primeira vez de forma on-line.

Com o tema central “A sociedade pós-pandemia: economia e comportamentos” o evento contou com a abertura do presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn, que falou da importância de momentos como esse para a discussão saudável e oportuna de temas de grande relevância para a sociedade gaúcha. “Neste ano, nosso tradicional evento tem como foco as consequências do novo Coronavírus e como será nosso país no pós-pandemia na área da economia, nos costumes e no mundo político”, afirma.

Dando início ao debate, Portugal trouxe uma análise com dados macro e microeconômicos. Entre os destaques do economista estão a diminuição do PIB, o aumento nas contas públicas e o custo da pandemia em termos de dívidas. Além disso, Portugal também trouxe a visão econômica por parte das empresas, com o aumento da competitividade e formas diferentes de se reinventar.

“A estimativa do PIB de 2020 é uma queda de 10%, a maior já vista na economia brasileira. Dados de julho e agosto mostram que existe uma recuperação na economia, em decorrência da resiliência do comércio e flexibilidade por parte das empresas, que estão inovando em diferentes canais de contato com seus consumidores, mas a expectativa é que a dívida pública seja estabilizada somente no final do ano de 2021”, enfatiza o economista.

Portugal também destacou a importância de termos uma âncora fiscal e o controle de gastos. “Precisamos ficar cientes que as despesas temporárias não podem ser despesas permanentes, é preciso impor e conhecer um teto de gastos para conseguirmos estabilizar a dívida do país e fazer a economia voltar a crescer”, destaca.

Já na análise do comportamento humano, Pondé foi enfático ao afirmar que a longo prazo não lembraremos mais deste momento que a sociedade está passando. “Teremos mudanças a curto e médio prazo, como educação híbrida, reinvenção de algumas empresas e, é claro, diferentes métodos de vacina e melhoria na rede de saúde, mas falar que esse cenário é o novo normal, é uma superestimação que a nossa geração tem com relação ao nosso papel na história. A humanidade já passou por crises e pandemias tão devastadoras quanto a do novo Coronavírus, mas no momento que a cura for encontrada, a população voltará aos seus velhos hábitos e nada mudará efetivamente”, afirma.

Do ponto de vista epistemológico, Pondé também apontou que não existem indícios históricos que pandemias mudem comportamentos morais. O pensador trouxe como exemplo a gripe espanhola de 1918, destacando que mesmo após os graves problemas da época – em alguns momentos bem parecidos com a pandemia atual – ainda assim eclodiu a segunda guerra. “Não devemos esperar nenhuma grande transformação no comportamento das pessoas. O resgate histórico nos mostra que a humanidade já passou por fases tão terríveis quanto a que vivemos e que isso não foi o suficiente para mudar o comportamento moral do ser humano”.

Por fim, os palestrantes debateram sobre os questionamentos do público e comentaram sobre crise e oportunidade. Portugal destacou que sendo otimista, toda a crise gera a oportunidade de sermos melhores, mas do ponto de vista econômico, as mudanças acontecerão na mesma proporção das modificações que vamos fazer para tornar o país um lugar melhor.

Já Pondé destacou as diferenças de classe e o quanto a pandemia está afetando de maneira distinta a população. “Nesse momento de isolamento, as famílias com menos condições econômicas são as mais afetadas, uma vez que o jovem pobre que não tem escola, muitas vezes também não tem o que comer e, dessa maneira, não consegue construir nenhuma perspectiva de um futuro – a curto prazo – melhor, já as pessoas com condições econômicas razoáveis estão tendo a oportunidade de fazer mudanças no estilo de vida, mudar rotas e fazer escolhas”, finaliza.

O Giro pelo Rio Grande acontece desde 2011 em todas as regiões do Estado, promovendo uma integração entre empresários e a Fecomércio-RS, no intuito de fortalecer o setor terciário gaúcho. Neste ano, o evento foi realizado de forma virtual, em virtude das recomendações de distanciamento social e todos os inscritos receberão um e-book exclusivo sobre “Sociedade pós-pandemia: economia e comportamento”. Mais informações sobre as ações do Sistema Fecomércio-RS podem ser conferidas em https://fecomercio-rs.org.br/