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Copom fecha a porta de novos cortes e sinaliza que compromisso de não aumentar a taxa pode estar perto do fim

10 de dezembro de 2020

O Comitê de Política Monetária (Copom), em reunião realizada na última reunião quarta-feira (10/12), decidiu, por unanimidade, manter novamente a taxa básica de juros da economia brasileira (taxa Selic) em 2,00% ao ano. Sem surpresas, esta é a terceira decisão em que a taxa é mantida.

Na última reunião de 2020, enquanto no cenário externo a ponderação diz respeito aos efeitos da segunda onda do coronavírus nas principais economias, bem como o efeito positivo no médio prazo de uma perspectiva positiva com a vacinação, para a economia nacional, o comitê tem considerado a heterogeneidade da recuperação atual, reforçando as incertezas que rodeiam a dinâmica da retomada no curto prazo, quando o suporte de diversas políticas emergenciais sairá de cena.

Quanto à inflação, mesmo reconhecendo uma variação acima do esperado que deve permanecer no curto prazo, a avaliação de um choque temporário permanece, com as expectativas de inflação consideras para as decisões da autoridade monetária convergentes às respectivas metas. A questão que traz maior preocupação, portanto, continua sendo o aspecto fiscal – que empurra a balança de riscos inflacionários para cima. O comitê reforça, porém, que as condições para a manutenção do elevadíssimo grau de estímulo monetário continuam atendidas, dando suporte à decisão de manter a taxa no menor nível histórico já registrado.

É importante notar que, diferentemente das comunicações anteriores, além de ter fechado a porta para eventuais cortes, o Copom sinalizou que a orientação futura (forward guidance) de juros no mesmo patamar no longo prazo pode não estar presente nas próximas decisões. Caso se confirme, não significa uma elevação automática da taxa de juros, mas sim espaço para uma reação do Banco Central caso essas condições se deteriorem, o que reforça a possibilidade da Selic subir antes do fim de 2021.