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Economia gaúcha cresce 12,9% no terceiro trimestre, mas ainda não recupera as perdas da estiagem e da crise do coronavírus

14 de dezembro de 2020

No terceiro trimestre de 2020, conforme divulgado pela Seplag-RS/DEE, o Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Sul registrou aumento de 12,9% na comparação com o trimestre imediatamente anterior, mas ainda apresenta queda de 4,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Para o Brasil, as variações foram, respectivamente, de 7,7% e de -3,9%. Com isso, o PIB gaúcho tem queda de 6,6% no acumulado em quatro trimestres. Segundo o IBGE, o PIB do Brasil apresentou redução de 3,4% na mesma comparação.

Sob a ótica da produção, o resultado do trimestre frente ao mesmo trimestre de 2019 refletiu queda em todos os setores. A maior queda foi dos Serviços com redução de 5,8%, seguida da Agropecuária, com redução de 4,1%. A Indústria apresentou queda de 1,2%. Nos Serviços, retração de 4,8% no Comércio, e de 3,8% em Transportes, armazenagem e correio. No comércio, especificamente, tecidos, vestuário e calçados lideraram a queda, enquanto super e hipermercados, materiais de construção e móveis e eletrodomésticos apresentaram crescimento. Na Indústria, apesar do aumento significativo da produção física de produtos de metal, produtos do fumo e borracha e plástico, a queda verificada em couros e artefatos de couro, artigos para viagem e calçados, bem como veículos automotores, reboques e carrocerias, evitaram um resultado positivo para o setor.

Os dados do PIB evidenciam três destaques: em primeiro lugar, a crise econômica começou antes do coronavírus no RS; segundo, a pandemia, associada à estiagem, derrubou mais o PIB gaúcho do que o brasileiro e, por fim, ainda que tenha havido uma forte recuperação no terceiro trimestre (resultado da flexibilização dos decretos que impediam a atividade produtiva), seguimos, em nível, abaixo do Brasil. O quarto trimestre deverá apresentar novo resultado positivo, ainda que em ritmo mais reduzido na comparação com o trimestre imediatamente anterior, mas o aumento do número de casos de covid-19 e, principalmente, o recrudescimento das medidas do governo sobre o funcionamento da atividade econômica associado com os efeitos do La Niña colocam em suspense a força da recuperação econômica durante o primeiro trimestre de 2021.