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CNC: 2021 começa com mais brasileiros endividados

23 de fevereiro de 2021

 

Apesar da alta do total de famílias com dívidas, proporção das que têm contas em atraso recua ao nível pré-pandemia. Percentual de endividados com cartão de crédito alcança recorde histórico

O ano começou com mais famílias endividadas no Brasil. Pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) aponta que o percentual de brasileiros com dívidas atingiu patamar de 66,5% em janeiro de 2021, um aumento de 0,2% em relação ao mês anterior e de 1,2% na comparação com janeiro de 2020. O dado é da recente edição da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) e leva em conta dívidas como cartão de crédito, cheque especial, empréstimo pessoal, prestações de casa e carro, carnês, crédito consignado.

Trata-se do segundo aumento seguido do indicador. Em dezembro passado, a CNC havia apurado o primeiro aumento desde agosto. O presidente da entidade, José Roberto Tadros, explica que, apesar da alta, o cenário, a princípio, não é negativo, principalmente em função dos impactos da pandemia. “Temíamos uma escalada do número de inadimplentes no País. O auxílio emergencial ajudou a evitar o pior cenário, e a economia soube se reinventar na medida do possível. Mas este ano vai ser chave para observarmos o comportamento do crédito e da inadimplência”, avalia o presidente da CNC.

Inadimplência controlada

A Peic de janeiro aponta ainda que o percentual de famílias com contas em atraso caiu pelo quinto mês seguido, alcançando o índice de 24,8%. Embora esteja 1 ponto percentual acima do apurado no mesmo mês do último ano, a proporção é a menor registrada desde fevereiro de 2020 – período anterior à pandemia. A parcela de famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas também diminuiu em relação a dezembro, passando para 10,9% do total em janeiro. Há um ano, o indicador havia alcançado 9,6%.

A principal modalidade de dívidas das famílias brasileiras segue sendo o cartão de crédito, que em janeiro atingiu a máxima histórica de 80,5% do total de famílias – contra 79,4% em dezembro. Em 2020, o percentual médio de famílias endividadas no cartão foi de 78%. Também houve avanço em dívidas com crédito pessoal e carnês no primeiro mês do ano.

“Com o fim do auxílio e o atraso no calendário de vacinação, as famílias de menor renda precisarão adotar maior rigor na organização do orçamento. Essa conjuntura faz o crédito ter papel ainda mais importante na recomposição da renda. É preciso seguir ampliando o acesso aos recursos com custos mais baixos, mas também alongar os prazos de pagamento das dívidas para manter a inadimplência sob controle”, alerta Izis Ferreira, economista responsável pela pesquisa.