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CNC mantém em 3,3% projeção de crescimento para o varejo após nova queda em março

7 de maio de 2021

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) manteve em 3,3% a previsão de crescimento do volume das vendas no varejo para 2021, após a divulgação da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) de março, nesta sexta-feira (7/5), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para a entidade, a tendência é que as vendas só reajam de forma mais consistente a partir da segunda metade do ano, diante de um grau maior de imunização da população e de menos restrições ao funcionamento dos estabelecimentos comerciais. “A ausência do auxílio emergencial e a contração do mercado de trabalho ao longo do primeiro trimestre deste ano impactaram negativamente os resultados das vendas no varejo”, afirma José Roberto Tadros, presidente da CNC, ressaltando que as variações negativas na circulação de consumidores ainda ditam o ritmo das vendas.

Segundo acompanhamento do Google Mobility, ao fim de março a circulação de consumidores em áreas comerciais ainda estava 40% abaixo do nível verificado em fevereiro de 2020 – menor patamar desde junho do ano passado (-44%). Já em abril, a introdução de medidas de flexibilização aumentou a circulação no comércio para um nível 35% abaixo do verificado antes da pandemia.

De acordo com a PMC, o volume de vendas no varejo recuou 0,6% em março, acumulando a terceira retração nos últimos quatro meses e encerrando o primeiro trimestre de 2021 com um recuo de 4,3%, em relação ao quarto trimestre do ano passado – pior desempenho trimestral desde o segundo trimestre de 2020, quando as vendas cederam 8,9%.

Hiper e supermercados vão bem

Como consequência do aumento das restrições operacionais estabelecidas por diversos decretos regionais, sete dos oito segmentos pesquisados apresentaram quedas no mês. Fabio Bentes, economista da CNC responsável pela análise, destaca que os segmentos mais afetados pertencem ao grupo do varejo não essencial, como: tecidos, vestuário e calçados (-41,5%), móveis e eletrodomésticos (-22,0%) e livrarias e papelarias (-9,1%). “A exceção ficou por conta de hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (+3,3%), que acabam sendo impactados positivamente pelas restrições à circulação de consumidores”, aponta Bentes.

Ao fim do primeiro trimestre, apenas três segmentos apresentavam nível de faturamento mensal superior ao observado no período pré-pandemia: hiper e supermercados (+3,9%), artigos farmacêuticos (+12,7%) e lojas de material de construção (+1,9%). “Sobressaem negativamente neste comparativo as perdas de mais de 50% ainda registradas pelas livrarias e papelarias e lojas de tecidos, vestuário e calçados”, conclui Bentes.