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Home office: como ser produtivo? 

31 de maio de 2021

Divulgação Senac-RS

Especialista destaca fatores que colaboram com a produtividade no trabalho remoto 

Devido à pandemia, novos hábitos surgiram para ficar. É o caso do home office ou trabalho remoto. Um levantamento feito pela empresa de consultoria BTA mostrou que o modelo de trabalho se tornou o padrão para ao menos 43% das empresas brasileiras em 2020. Entretanto, o fenômeno não é só no Brasil: de acordo com pesquisa do site FlexJobs, 76% dos trabalhadores norte-americanos disseram preferir executar suas tarefas fora do escritório nda empresa. Mas como aliar essa forma de trabalho com produtividade? 

86% dos trabalhadores entrevistados pela SurePayRoll disseram que atingem “produtividade máxima” quando trabalham sozinhos. E 2/3 dos gestores garantem que seus colaboradores remotos aumentam a sua produtividade. Segundo o docente nos cursos Técnico em Segurança do Trabalho e Síndico da escola Senac Gestão & Negócios, Eduardo Coletto Piantá, esse aumento produtivo não é algo automático e, como qualquer processo produtivo em que a empresa vá operar, demanda planejamento. 

No aspecto da estrutura física, o docente afirma que é importante ter um ambiente separado na residência, mais destinado ao trabalho efetivamente. Ou seja, evitar trabalhar improvisadamente como, por exemplo, no sofá da sala, com televisão ligada, familiares conversando e outras atividades no entorno que vão dividir a atenção. “O local específico auxiliará na produtividade e concentração, assim como agilizará processos produtivos, trazendo um reforço psicológico na medida em que, embora em casa, haja a separação de horário de trabalho e horário de lazer. Essa separação, ao longo do tempo, passa a ser significativa, inclusive na prevenção de depressão ou tédio”, comenta. 

Eduardo destaca a importância de um mobiliário com mesa, cadeira adaptável (verificar a pertinência de um escoro para os pés), iluminação adequada (nem excessiva, nem deficiente) e temperatura agradável. “Os espaços de trabalho nas empresas precisam ser versáteis, pois há um eventual fluxo ou rotatividade de pessoas. Já no mobiliário de casa, essa métrica pode ser direcionada às características fisiológicas do único trabalhador, o que permite essa personalização”, indica. 

Com relação à parte psicossocial, o professor reforça que é necessário entender uma série de especificidades relacionadas à individualidade de cada trabalhador, inclusive região onde mora, pois pode ser um local barulhento em virtude de viadutos, avenidas, passagem de trem, obras entre outros fatores. Além disso, existem trabalhadores que podem ter dificuldades com o uso de tecnologia — os chamados “analfabetos tecnológicos”. “A capacitação tecnológica passou a ser pré-requisito de operação”, ressalta. 

Ainda no aspecto psicossocial, também é importante, segundo o docente, integrar esse funcionário à empresa. Há trabalhadores que iniciaram em empresas já em home office. “Nesses casos, esse trabalhador está isolado em sua casa, não conhece muito bem os próprios colegas e chefia, não tem ninguém no posto de trabalho ao lado para tirar dúvidas, referências ou feedbacks constantes. Esse tipo de integração, quando há tempo e oportunidade, fica a critério da liderança”, recomenda. 

Estabelecidos os requisitos mínimos estruturais e psicossociais, ainda deve-se observar problemas que, ao longo do tempo, podem afetar a saúde do trabalhador e são específicos do teletrabalho, tais como o adoecimento físico por questões ergonômicas, a repetitividade, a depressão, já que o ser humano, em geral, tem necessidade de socializar. “O indicado é criar estratégias que visem monitorar quaisquer sintomas bem como prevenir esses acontecimentos, mediante momentos para confraternizações, ginásticas laborais, entre outros. Caso exista o surgimento lento e progressivo de quaisquer desses sintomas, certamente haverá impacto na produtividade”, destaca.  

Somando-se aos aspectos estruturais e psicossociais, também é preciso se atentar à cultura organizacional da empresa, que exerce papel fundamental para dar sentido ao trabalho exercido; à gestão de tempo, observando e atentando-se ao critério da empresa (horários rígidos ou flexíveis); e ao planejamento semanal, que permite um controle de identificação do rendimento da função. “Todos são fatores que impactam na qualidade de vida e nos resultados”, afirma.