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Balança Comercial brasileira, gaúcha e cenário político-econômico da Argentina são alguns dos temas discutidos em reunião da Fecomércio-RS 

14 de setembro de 2021

Divulgação Fecomércio-RS

No último dia 14 de setembro, às 12h, os integrantes do Conselho de Comércio Exterior (Comex), da Fecomércio-RS, estiveram reunidos para debater sobre diversos temas como a Balança Comercial no Brasil e Rio Grande do Sul, câmbio argentino, a retenção de mercadorias na importação por meio do Sistema Siscomex e o Projeto de Lei 1232/2021. 

Para iniciar, a economista da Assessoria Econômica da Fecomércio-RS, Giovana Menegotto, apresentou os dados das Balança Comercial do Brasil e do Estado. Comparando os primeiros oito meses do ano com o mesmo período de 2020, pode-se observar resultados positivos tanto nas exportações como importações. No âmbito nacional, as exportações totalizaram US$ 188,9 bilhões, apresentando crescimento de 37,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto nas importações os US$ 136,8 bilhões registrados superaram em 34,4% o acumulado de janeiro a agosto de 2020, com saldo da balança comercial (exportações menos as importações) avançando 45,9% na mesma base de comparação, após marcar US$ 52,1 bilhões.

Na lista dos produtos exportados, a importância das commodities fica clara, com destaque para o minério de ferro e seus concentrados, soja e óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos, que juntos equivaleram a 44,7% do total exportado no acumulado de 2021. “Nas exportações, vemos o maior papel da elevação dos preços para a expansão dos valores exportados, enquanto nas importações as quantidades impulsionaram os resultados em maior medida que os preços”, apontou a economista.

No contexto gaúcho, não foi diferente. Exportações, importações e o saldo comercial também registram altas no período. As exportações no acumulado de 2021 (US$ 13,7 bilhões) cresceram 38,0%, já no caso das importações (US$ 7,0 bilhões) o crescimento foi de 44%; assim, o saldo totalizou US$ 6,6 bilhões, com aumento de 32,2%. O grande destaque nas exportações fica por conta da soja (31,1% do valor total exportado), que além da alta dos preços, contou com maior quantidade exportada no acumulado do ano, refletindo a base mais baixa com o efeito da seca na produção gaúcha no ano anterior. Em relação aos parceiros comerciais, China, Estados Unidos e Argentina figuram como maiores parceiros comerciais do RS.  

Após a fala da economista, o secretário geral da Câmara Empresarial Brasil –Argentina (CEAB/RS), Leandro Villela Cezimbra, falou sobre funciona o câmbio na Argentina. Cezimbra explicou como o cidadão argentino acompanha a movimentação do dólar, porque a economia do país depende dessa questão. “A cotação do dólar é ligada à cultura argentina. É uma questão cultural, que está arraigada na sociedade local. Lá é comum as pessoas guardarem dinheiro em moeda estrangeira”, relata. Na ocasião, o secretário também falou sobre as crises político-econômicas do país, destacando que já chegou a ser a 6º maior economia do mundo, com PIB equivalente ao de países como França e Alemanha, em 1921. Porém, após inúmeras crises, trocas de moeda e até declaração de moratória a situação mudou. “Foi o único país que já declarou moratória cinco vezes desde 1981. A pandemia da Covid-19 apenas aprofundou um uma crise que já existia”.

Em meados 2000, com Fernando de la Rúa, a crise se agravou com o Corralito, medida que consistia na limitação de compra do dólar. A iniciativa causou revolta na população e com Cristina Kirchner nasce o Cepo Cambial, nome dado às restrições impostas pelo governo para a aquisição de moeda estrangeira. Editada no governo de Mauricio Macri, se mantém no governo atual e piorou ainda mais a situação. Para finalizar, Cezimbra explica os 12 tipos de câmbio existentes no país.

Para concluir a reunião, o advogado Walter Veppo falou sobre a retenção de mercadorias na importação por meio do sistema do Siscomex e Moisés Lucchese Mendes, do Núcleo Jurídico da Federação, abordou o PL 1232/2021. O Projeto de Lei busca proporcionar melhores condições de competitividade dos produtos brasileiros no exterior, prorrogando por um ano os prazos de isenção e de suspensão de pagamentos de tributos previstos nos atos concessórios do regime especial de drawback que tenham sido prorrogados por um ano pela autoridade fiscal e que tenham termo em 2021.