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Com elevação da taxa de juros, economista-chefe da CNC propõe estratégias para que empresários driblem dificuldade de caixa

24 de maio de 2022

Em avaliação do cenário econômico e de inovação, Guilherme Mercês falou sobre o desafio das empresas de crescer mais do que a inflação e apontou tendências tecnológicas do varejo

Com a taxa de juros muito alta e subindo, é fundamental que as empresas se antecipem e renegociem suas dívidas, em especial aquelas com taxas pós-fixadas, segundo a avaliação do chefe da Divisão de Economia e Inovação (Dein) da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Guilherme Mercês. Em reunião da Diretoria da entidade, o economista fez uma apresentação do cenário econômico e de inovação no Brasil e no mundo, destacando os possíveis impactos da alta da inflação e dos juros sobre as empresas dos setores de comércio, serviços e turismo.

De acordo com o chefe da Dein, dependendo do ritmo do Banco Central americano, o Brasil pode se ver obrigado a ter uma alta de juros mais forte. Ele também projetou que a inflação, muito resistente, não deve chegar a um valor abaixo de 7%, um ponto de atenção para o empresariado. “Quando o preço dos insumos está em alta, o grande desafio das empresas é crescer mais do que a inflação, ou seja, manter o crescimento real da receita. Para isso, os empresários têm de estar muito atentos aos reajustes de fornecedores e de mão de obra”, aconselhou.

Mercês observou que as negociações serão a chave para a manutenção das margens de lucro, pois a alta da inflação e dos juros pode corroer parte do ganho de receita. Nesse cenário, o planejamento tributário ganha ainda mais relevância. “Grande parte das empresas paga mais impostos do que poderia. Rever a estratégia tributária é sempre pertinente, e acho que é um caminho que todas as empresas deveriam seguir neste momento difícil”, afirmou.

Tecnologia a favor do varejo

Durante a apresentação, o economista também ressaltou os desafios de inovação para o varejo, destacando o uso de inteligência artificial e big data no entendimento das necessidades dos clientes; a adoção do digital no desenvolvimento de novos canais de venda; a otimização da cadeia de logística, por meio do uso de Internet das Coisas (IoT) e tecnologia 5G, além da bancarização do varejo. Segundo Mercês, esse último é um processo para o qual os bancos já estão se preparando. Ele avalia que o varejo começará a agregar ferramentas e serviços financeiros e de crédito às suas vendas na ponta.

O chefe da Dein aproveitou para sinalizar que os setores de comércio e de serviços devem se preparar para lidar com essas novas tendências e disse que a CNC vai ter um papel fundamental, junto com as federações e os sindicatos do Sistema Comércio, nesse planejamento. “Acho que o grande desafio das empresas é lidar com uma conjuntura difícil, desafiadora e pensar em um planejamento de médio e longo prazos, adequado a esse novo mundo de consumo e tecnológico que está à frente”.

Nova liderança

Economista com 15 anos de experiência, Mercês assumiu a Chefia da Dein, novo setor que substituiu a Divisão Econômica da CNC, em abril, sucedendo a Carlos Thadeu de Freitas, que segue integrando o quadro econômico da Confederação. Ex-secretário de Fazenda do Estado do Rio de Janeiro, também ocupou os cargos de economista-chefe e Chief Financial Officer (CFO) na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) e foi professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), onde se graduou e cursou mestrado em Economia. 

O chefe da Dein possui ainda formação executiva em Gestão Estratégica (Instituto Europeu de Administração), Planejamento de Cenários (Universidade de Oxford) e Aceleração do Crescimento em Cidades Brasileiras (Universidade de Columbia), foi o idealizador e coordenador do Índice Firjan de Gestão Fiscal (IFGF) e é coautor de dois livros sobre a economia brasileira.

Diante do novo desafio, Guilherme Mercês espera construir um portfólio de produtos e serviços que contribuam tanto para os representados da CNC quanto para a sociedade. “Nosso objetivo é que a Dein possa antecipar, para federações, sindicatos e empresas, cenários econômicos e tecnológicos e seus impactos. Esperamos que nossas pesquisas sejam bússolas para os setores representados”, concluiu.