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“A educação é a construção da humanidade”, afirma Terezinha Rios, em live comemorativa ao Dia Mundial da Educação 

29 de abril de 2021

Divulgação Fecomércio-RS



 Evento foi realizado na noite desta quarta-feira, 28 de abril, pelo Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac  
Na noite desta quarta-feira, 28 de abril, o Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac promoveu um importante bate-papo sobre o Dia Mundial da Educação, comemorado nesta data há 21 anos. O doutor em educação e diretor do Sesc/Senac-RS, José Paulo da Rosa, interagiu com a filósofa, pesquisadora e escritora Terezinha Rios em uma live on-line e gratuita, transmitida simultaneamente nos canais do Youtube do Sistema Fecomércio, Sesc/RS e Senac-RS.   

A franca, clara e aberta conversa iniciou com uma breve e essencial participação do doutor em educação, José Paulo da Rosa. O diretor do Sesc/Senac-RS contou sobre sua trajetória de pesquisa e estudos sobre o tema. José Paulo destacou a discrepância do crescimento da Coréia do Sul, comparado ao Brasil, em relação à educação e ao desenvolvimento econômico do país. “Uma sociedade evolui, progride e se transforma quando é priorizado o ensinar, com a valorização dos professores e a contribuição e participação da família na rotina educacional. Nós precisamos priorizar a educação para que tenhamos melhores resultados no futuro”, destacou.  

Na sequência, abriu-se espaço para a também doutora em educação, Terezinha Rios. “A Educação Muda? A Educação Cura? Mas afinal de contas, o que é a educação? Trago uma definição que aponta a especificidade da educação: a educação é a construção da humanidade. Só isso e isso tudo! Nos tornamos humanos porque partilhamos de um processo de intervenção no mundo, que se chama cultura”. Foi com essa importante afirmação que a filósofa deu início a um importantíssimo discurso, crítico e reflexivo, sobre a educação.  

Referenciando grandes autores, filósofos e pensadores da educação, Terezinha filosofou acerca do assunto. “Quando nasce uma criança, não sabemos como ela vai ser, mas já sabemos como gostaríamos que ela fosse. Então, a partir disso, começamos a ajudar a construir esse cidadão. Formar, no sentido de desenvolvê-lo, para que tenha autonomia e possa intervir na realidade, se apropriar da cultura, do seu tempo e seu espaço. Esse é o gesto educativo”.  

A filósofa continuou sua explanação a respeito de um interessante ponto, que em um cenário com cada vez mais crenças, valores e visões de mundo distintos aparece em constante relevância: o que caracteriza uma educação como boa ou não. Terezinha explicou que educar é um gesto que, independentemente do viés, gera resultados, porém, há diferenças importantes sobre o gesto de educar, para o bem ou não. “Quando se exalta a violência, quando é o ódio e a intolerância que são os valores transmitidos pela educação, nós não podemos chamar de boa. É educação, sim, mas não é uma boa educação. E é essa boa educação que a gente quer [boa], porque queremos um mundo bom, uma escola boa, uma vida boa”, completa.  

Indo ao encontro do discurso inicial do diretor do Sesc/Senac-RS, a escritora também contou sobre suas experiências educacionais diversas que realizou pelo mundo, e destacou Moçambique. “Estive lá trabalhando em um Mestrado em Educação e compartilhei uma experiência de problemas, elementos negativos e também de um empenho muito grande em procurar resolvê-los. A educação cura. Ao pensar nisso nos vêm na memória algo problemático a ser curado. Mas eu, usando esse espaço, no momento em que estamos de tempos sombrios de pandemia, posso dizer a vocês que a educação funciona mais como uma vacina, do que como um medicamento.” A especialista em educação destacou também que, hoje, no Brasil, vive-se uma crise de responsabilidade e o terreno educacional entra como sujeito transformador da humanidade.   

Respondendo a perguntas do público participante no bate-papo, Terezinha palestrou mais profundamente sobre a educação que leva à humanização. A doutora explicou que a educação que queremos promover deve ser tida a partir do respeito e da solidariedade, em uma consonância da escola, da família e da sociedade em si. Destacou também a diferença entre atitudes que consideramos “sem educação”. “Quem pratica atitudes as quais julgamos sem educação, desrespeitosas e até malvadas, comumente dizemos tratar-se de pessoas que não foram educadas. Mas não. Elas foram educadas sim, passaram por uma família, por uma escola, conviveram com pessoas e aprenderam valores, etc. Mas quais valores são esses? Por isso, tratamos o humanismo com uma cara ética e não como uma humanidade questionável. Devemos educar com o intuito de transformar as pessoas em seres humanos que gostaríamos de ser”, completou.  

Sobre o papel do educador na formação de um cidadão humano, Terezinha destacou que só o exemplo ensina. “Ao invés de fazer um belo discurso sobre o dever em ser ético e respeitar as pessoas, faz-se necessário o entendimento sobre a grande diferença do discurso e da prática. Toda prática está baseada em uma teoria, com elementos que fundamentam nossa ação. Inspirados pelo dia em que lembramos Paulo Freire, temos que dizer que a educação deve respeitar os educandos e, muitas vezes, o que fazemos é desrespeitá-los, com atitudes autoritárias diante deles. Por isso, a melhor perspectiva é o exemplo. O gesto do educador fala.”, explicou.  

Ao final do incrível diálogo em alusão ao Dia Mundial da Educação, a escritora comentou também sobre a pandemia, a educação e o medo do aumento do individualismo. “A pandemia veio para nos mostrar desigualdades que já existiam. Querer manter o que era presencial no formato on-line é um grande risco de fracassar. Por isso, precisamos inovar, inventar novas formas de fazer dar certo, respeitando os limites de cada um. É uma excelente oportunidade de encontrarmos novas alternativas de, mesmo afastados, nos mantermos juntos.”, finalizou.